SOBREIRO ANTÓNIA MENDES

 

Tema "Sobreiro"

"Tu e a imensidão"

(ode ao sobreiro solitário), 

de Antónia Mendes

 

O Barro vermelho da planície arrasta-se pelo chão

Curvado sob áridos torrões.

Pelo brasido do tempo se faz lume,

A Cinza que roça as pedras

Gemendo sem voz por feridas abertas.

Mas pela tua ramagem se nutre de sombra,

De encanto se agasallha pelas aves em refúgio,

Até a terra refresca o seu ventre!

Odores de rosmaninho e alecrim

Vestem de festa o seu colo

Num enlace de ramos pendidos.

Abraçavas o mundo que vias,

Só tu e a terra ruiva.

Mais além o montado sorria

Em enleios de raizes profundas.

No bosque denso,

Estevas, giesta, sargaços e alfazema,

Agitados pinheiros mansos,

Com bravura

Ali te plantou o vento

Que trouxe as sementes

E te fizeste ao exilio.

Ai sobreiro!

Como ousaste resistir à vida?

E a morte que hoje te espreitou

Por te arrancar a pele.

Descortiçaram-te a alma

Mascarando o teu corpo de tinta branca.

Essa nudez murchou o teu interior,

Desfeito em lágrimas manchaste

O lençol que te cobria a virtude.

Ai sobreiro!

Se a solidão  não te guiasse,

Não chorarias sozinho.

 

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